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Seduc apresenta resultados de Projeto de Atenção Plena em encontro realizado em Gramado

Atividades de meditação já alcançaram mais de 6 mil estudantes e serão expandidas ao longo de 2026

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Grupo de pessoas posa para foto em ambiente interno de evento. Ao centro, um mascote sorridente com camiseta “Mente Viva”. Participantes estão em pé e agachados, próximos a um telão e banner do programa, em clima de integração.
Encontro contou com a presença da secretária da Educação, Raquel Teixeira, além de professores, gestores e educadores - Foto: Daniel Guterres
Por Daniel Marcilio

Exercícios de respiração, percepção do próprio corpo e das emoções e momentos de atenção plena. Todas essas atividades que envolvem práticas de meditação são realizadas, desde 2024, nas salas de aula das escolas estaduais.

A iniciativa se tornou realidade por meio do Projeto de Atenção Plena com Foco em Aprendizagem e Desenvolvimento Psicossocial, promovido pela Secretaria de Educação (Seduc) em parceria com a ONG Mente Viva, trazendo uma nova abordagem de autocuidado para a Rede Estadual.

Os resultados desse trabalho com os estudantes foram apresentados, nesta quinta-feira (19/03), no auditório do Kurotel, em Gramado. O encontro contou com a presença da secretária da Educação, Raquel Teixeira, da Dra. Mariela Silveira e do advogado Paulo Moura, ambos fundadores e coordenadores da Ong Mente Viva, além das coordenadoras Greicy Weschenfelder, da 3ª Coordenadoria Regional de Educação (CRE), com sede em Estrela, e Cristina Fabris, da 4ª CRE (Caxias do Sul). 

Na programação, os participantes puderam compartilhar experiências e conhecer de perto o modelo gaúcho que promove a saúde mental no ambiente escolar. Professores e gestores de escolas de municípios como Porto Xavier, Colorado, Garruchos e Caxias do Sul estiveram reunidos para demonstrar a transformação que ocorreu no espaço escolar depois que as práticas de meditação passaram a fazer parte da rotina de ensino.

Estiveram presentes a Escola Estadual Maria Araci Trindade Rojas (4ª CRE), a Escola Estadual de Ensino Médio Carlos Bratz (32ª CRE), a Escola Estadual Afonso Evaristo de Castro (35ª CRE) e a Escola Estadual Armindo Edwino Schwengber (39ª CRE). 

Na abertura, após saudar os presentes, Raquel destacou a importância do projeto diante dos desafios atuais da educação, como o avanço da Inteligência Artificial, as mudanças climáticas e a necessidade de uma formação integral nas escolas. 

Secretária da Educação, Raquel Teixeira, apresenta em evento, em pé ao lado de um banner do programa “Mente Viva”, com ilustrações e texto sobre práticas diárias. Ao fundo, há uma tela de projeção. Ela gesticula com as mãos enquanto fala ao público.
Conforme Raquel, as práticas de meditação auxiliam o autoconhecimento e a capacidade de concentração - Foto: Daniel Marcilio
“Além das habilidades cognitivas, abordadas pelo currículo escolar, as competências socioemocionais são cada vez mais fundamentais para uma vida plena. O foco, a capacidade de concentração, a colaboração e a empatia são elementos que estimulam a criatividade e a convivência saudável. Por isso, o projeto foi tão valioso para os nossos estudantes, principalmente neste momento em que vivemos, em um mundo em constante transformação tecnológica, que traz sérias dificuldades de concentração. Já temos um impacto real na vida de milhares de estudantes," ressaltou Raquel.

A fundamentação científica e o propósito humanitário do projeto foram enfatizados pela Dra. Mariela Silveira. A médica, que possui uma trajetória dedicada à pesquisa sobre o tema da meditação, defendeu que as técnicas de reflexão ensinam o autocontrole e o autoconhecimento e, por isso, não são uma atividade isolada. 

“Temos que olhar para a educação através da lente da saúde mental e da prevenção. Nós temos certeza de que juntos conseguiremos levar as práticas de meditação de uma maneira gratuita, baseada em evidências. É um instrumento extremamente útil para construir uma sociedade mais inteligente e com mais compaixão”, reforçou Mariela. 

A Dra. Mariela está sentada em uma cadeira com os olhos fechados, enquanto  conduz uma atividade de relaxamento e meditação em grupo. Participantes aparecem de costas, ouvindo. Ao fundo, há quadro para anotações, mesa com utensílios e bandeira do Rio Grande do Sul.
Fundadora da Ong Mente Viva, a Dra. Mariela também aplicou um exercío de meditação durante o encontro - Foto: Daniel Guterres

As ações de prevenção e de cuidado contínuo são monitoradas pela Seduc por meio do Núcleo de Cuidado e Bem-estar Escolar (NCBEE) e pelo Centro de Educação Baseada em Evidências (CEBE). Conforme Raquel, esse dois departamentos, criados nos últimos anos, demonstram que houve diminuição do sofrimento psíquico, da ansiedade e de comportamentos como bullying e cyberbullying nas escolas que realizam as atividades do programa. 

A experiência inclusive chamou a atenção de educadores de outros Estados. A professora Daniele Quirino,coordenadora do Conviva, representando a Secretaria da Educação do Estado de São Paulo, também acompanhou o evento para conhecer o modelo de aplicação gaúcho, projetando a possibilidade de ampliação do projeto.

Na quarta-feira (18/03), também foi realizada uma visita técnica à Escola Estadual Santo Antônio, em Lajeado, vinculada à 3ª CRE, onde foi possível observar o projeto em sua aplicação prática, por meio de atividades desenvolvidas com as turmas da escola. A instituição de ensino, de abordagem restaurativa, incorpora práticas de atenção plena articuladas aos círculos de construção de paz.

Eles consistem em uma estratégia parecida com uma roda de conversa, criando uma dinâmica que proporciona um espaço seguro para mediar conflitos e trabalhar questões de empatia e comunicação não-violenta. A visita contou com a participação da coordenadora da 3ª CRE, Greicy Weschenfelder.

Do piloto à expansão: Dados e Impactos do Projeto de Atenção Plena

O Projeto de Atenção Plena teve início em 2023, com uma experiência piloto na Escola Estadual de Ensino Médio Melvin Jones, em Caxias do Sul. A partir disso, após um processo seletivo com quase 500 inscrições, houve, em 2024, a primeira aplicação dos exercícios e práticas de meditação para 60 escolas da rede, sendo que 30 estavam no grupo experimental e 30 no grupo de controle.

Dessa forma, foi possível avaliar e comparar o desenvolvimento do projeto por meio de pesquisas conduzidas por equipes da Seduc.

Duas mulheres palestram em sala com bandeiras ao fundo. À esquerda, uma mulher de amarelo gesticula ao falar ao lado de um banner do "Programa Mente Viva". À direita, outra mulher em tons claros observa. O ambiente possui teto de madeira e parte da plateia é visível em primeiro plano.
As questões humanitárias e os impactos positivos do programa foram pauta do encontro - Foto: Daniel Marcilio
Em 2025, a segunda etapa da iniciativa avançou para outras 30 escolas que já haviam participado como grupo de controle, alcançando cerca de 6,4 mil estudantes. Nessa etapa, também foram verificados efeitos positivos relacionados à autoestima e à concentração dos alunos.

As ações de formação mobilizaram, ao longo de 2025, 58 professores gestores, 30 assessores regionais e 77 estudantes embaixadores do programa. 

A autoavaliação indicou os benefícios observados pelo projeto. Conforme a percepção dos próprios professores que aplicaram o método, 92% concordam que houve uma melhora na autorregulação emocional dos seus alunos e 97% afirmam que foi possível notar o avanço na autoestima dos estudantes.  

A metodologia aplicada nas salas de aula consiste em sessões diárias com duração média de 15 minutos, mediadas pelos próprios professores. Por meio de uma formação continuada, oferecida pela Seduc, eles são capacitados para entender e realizar as práticas de atenção plena com os estudantes. 

As atividades incluem exercícios de respiração em quatro tempos, acompanhados por música clássica e pelo tema de um animal a cada dia; técnicas que incentivam a atenção plena, a consciência e a integração com a natureza, bem como o relaxamento corporal, adaptadas para diferentes faixas etárias; e o uso de materiais lúdicos, como o mascote Guiri, livros e calendários de emoções.

Além disso, as composições de músicas clássicas também são utilizadas para identificar e materializar emoções através de desenhos e registros escritos. 

Transformação de corpo e alma: o caso da EEEM Carlos Bratz

Quatro mulheres posam frente às bandeiras do Brasil e do RS. Ao centro, a secretária da Educação, Raquel Teixeira, segura o texto do poema "Atenção Plena",. O grupo veste azul, vermelho, amarelo e uniforme escolar branco, em clima de celebração institucional e reconhecimento em ambiente iluminado.
A aluna Tauna, à direita, declamou um poema de autoria própria no encontro, inspirada pelos momentos de meditação do projeto - Foto: Daniel Guterres

Entre os relatos compartilhados durante o encontro, a Escola Estadual de Ensino Médio Carlos Bratz, de Porto Xavier/RS, se destacou pelo engajamento de toda a comunidade escolar. A aluna Tauana Ramos Kaiser, estudante do segundo ano do Ensino Médio, trouxe um relato sobre os benefícios do projeto em sua escola e como a prática de meditação alterou a sua percepção pessoal. 

“Foi simplesmente incrível. Houve uma transformação de corpo e alma. Em uma das atividades, a gente precisava escrever o que havíamos sentido. Dali nasceu a minha primeira poesia. Às vezes, só temos que respirar para encontrar outro mundo dentro da mente”, afirmou Tauana, que ainda declamou um poema de autoria própria durante o encontro, inspirado nos momentos de silêncio da meditação.

A supervisora Claudete Marasca, também da Escola Estadual Carlos Bratz, reforçou essa visão. “Nossos alunos são o que melhor temos na escola. Eles evoluíram tanto com esse projeto que foi um encantamento para todos. Os conflitos reduziram imensamente, tanto que o livro de registros de indisciplina está praticamente desativado”, conta a supervisora.

Para Cristina Theis, professora de Matemática da Escola Carlos Bratz, o começo foi desafiante, mas os benefícios logo apareceram e se refletiram na vida pessoal. “Quando me indicaram, pensei que, por trabalhar com ciências exatas, não teria o perfil. Porém, depois da formação, até os meus filhos dizem que a mãe está diferente. Eu atribuo isso ao programa”, comenta. 

A expansão para 2026 prevê a continuidade do projeto de modo a beneficiar um número maior de escolas com foco em turmas do 6º ao 9º ano do Ensino Fundamental e do 1º ao 3º ano do Ensino Médio.

Sobre a ONG Mente Viva

Criada em 2007, a Mente Viva é uma ONG com sede em Gramado que promove a cultura de paz nas escolas, levando técnicas de meditação e exercícios de autoconhecimento para crianças e jovens. Por meio de um trabalho em rede, a organização já alcançou mais de 500 mil estudantes, com ações no Brasil e em outros países, como Portugal, Alemanha, Uruguai, Estados Unidos e Irlanda. A instituição não possui fins lucrativos, sendo financiada por doações espontâneas.

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