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Escolas Resilientes

O Rio Grande do Sul enfrenta uma nova realidade climática. Nos últimos anos, a sequência de eventos adversos, de ciclones ao calor extremo, deixaram de ser episódios isolados para se tornarem cada vez mais frequentes. Emergências desse tipo não possuem um início e fins claros, exigindo, portanto, mais do que medidas emergenciais contra catástrofes. A educação precisa estar preparada aos desafios socioambientais.

A estratégia para Escolas Resilientes surge como uma iniciativa da Rede Estadual para garantir que o direito à educação permaneça inabalável, mesmo em situações adversas de potencial impacto para a continuidade educativa. A iniciativa envolve uma reestruturação profunda de uma série de fatores das escolas, de modo a permitir que a educação pública no RS esteja comprometida e preparada para enfrentar situações adversas, entre elas os riscos de desastres socioambientais. 

 O objetivo é transformar as instituições de ensino em espaços de segurança, acolhimento e resiliência . Para isso, o próprio currículo escolar é adaptado junto com a estrutura do ambiente escolar, que se torna mais ágil para resistir, absorver e se reerguer rapidamente diante dos eventos adversos. O respeito às especificidades socioterritoriais de cada escola está no próprio nome da estratégia: trata-se de uma pluralidade de características e, por isso, são várias Escolas Resilientes.


Os Quatro Eixos das Escolas Resilientes

A estratégia está fundamentada em quatro pilares que conectam desde a reforma física dos prédios até o suporte socioemocional da comunidade escolar

1. Currículo Escolar Resiliente

A fim de incorporar informações climáticas de forma transversal nos componentes curriculares e fomentar uma educação preparada para os desafios de um mundo em constante transformação, desde 2025, uma nova Matriz de Referência foi implementada na Rede Estadual.

O currículo passou a incorporar temáticas de educação climática e justiça ambiental. Assim, as escolas estaduais trabalham com conteúdos que abordam temas como:

  • Mitigação dos impactos climáticos.

  • Adaptação às mudanças no ambiente.

  • Redução de riscos em situações de desastres socioambientais​​.

Essas questões são desenvolvidas em disciplinas como geografia, ciências e biologia, além de serem abordadas de maneira transversal, através de projetos interdisciplinares que estimulam a reflexão sobre o papel da sociedade e dos indivíduos na preservação ambiental.

A nova abordagem também está fundamentada no contexto da resiliência emocional, pois não basta apenas preparar os estudantes para entender as questões ambientais. É preciso ensiná-los a lidar emocionalmente com as adversidades que podem acontecer diante de uma situação de crise climática, a partir das competências socioemocionais, que foram articuladas ao currículo escolar 

As atividades curriculares que trabalham essas competências socioemocionais estão centradas em uma aprendizagem que busca valorizar o trabalho em equipe e a tomada de decisões de forma colaborativa, além de desenvolver a sensibilidade dos estudantes em relação ao meio ambiente.

2. Infraestrutura Segura e Sustentável

A adaptação das escolas para resistir e se recuperar de desastres e suportar melhor as variações climáticas também exige mudanças na elaboração dos projetos de infraestrutura escolar. 

A construção de novos prédios e a adequação dos existentes será realizada com o uso de materiais mais duráveis e sistemas sustentáveis e verdes, como o reaproveitamento de água da chuva e painéis solares para geração de energia. 

Os projetos arquitetônicos das escolas estaduais começaram a implementar conceitos de sustentabilidade, incluindo a verticalização de prédios em áreas inundáveis, uso de energia fotovoltaica, telhados verdes, ventilação natural e sistemas prediais capazes de resistir aos efeitos dos eventos climáticos extremos. 

Um exemplo prático é o manual de Soluções Baseadas na Natureza (SbN), desenvolvido em parceria com o Instituto Alana para adaptar as escolas a esse novo cenário de mudanças no clima e o Guia para elaboração do projetos de arquitetura para a criação de Escolas Resilientes, produzido em parceria com o Instituto Unibanco. 

Tais premissas para construções sustentáveis e resilientes estão sendo incorporadas nos projetos das escolas estaduais pela secretarias de Educação e de Obras Públicas.

3. Bem-Estar e Saúde Psicossocial

Reconhecendo que eventos climáticos extremos podem gerar efeitos psicossociais  profundos, a iniciativa também contribui com projetos de apoio psicossocial para a comunidade escolar, incluindo o conceito de "Escola Sensível ao Trauma". Com a contribuição de parceiros, a Seduc promove a formação de profissionais para oferecer suporte emocional e acolhimento.

Dessa forma, o objetivo é oferecer os elementos de suporte necessários para fornecer o equilíbrio emocional, ajudando na prevenção, preparação, resposta e recuperação de eventos adversos.  

4. Planos de Contingência (Plancon Escolar)

Para garantir uma resposta rápida e organizada, as Escolas Resilientes atuam por meio dos Planos de Contingência Escolares para Eventos Climáticos, os chamados Plancon Escolares. A partir de estudos realizados pela Seduc com apoio do Banco Mundial e da classificação das escolas conforme nível de impacto após o evento climático de 2024, 87 escolas da Rede Estadual foram selecionadas  para serem contempladas com apoio técnico para implementação e construção participativa dos seus Plancon Escolares.

As instituições foram selecionadas com base em critérios de vulnerabilidade, considerando fatores como ameaça, exposição ao risco e impacto sofrido durante os eventos climáticos de 2024.

Os Plancons são elaborados pelas próprias escolas, de forma participativa, com apoio da comunidade escolar e de atores locais. O processo é orientado pelo “Guia para elaboração de Planos de Contingência Escolares para eventos climáticos”, desenvolvido pela Seduc em parceria com o Instituto Alana e com assessoria técnica da ONG Vozes da Educação.

O documento apresenta 19 etapas de preparação e orienta as escolas sobre como agir antes, durante e depois de situações como enxurradas, alagamentos, chuvas intensas, granizo e vendavais. Ao final do processo, cada instituição terá seu próprio instrumento de prevenção, preparação, resposta e recuperação diante de eventos climáticos.


A Construção Coletiva da Prevenção

Além da elaboração dos planos, cada escola forma um Comitê Plancon Escolar, composto por representantes da comunidade escolar. Os grupos são responsáveis por adaptar as diretrizes às realidades locais, revisar cronogramas, organizar protocolos e coordenar ações preventivas.

A construção do PLANCON Escolar também prevê a realização de treinamentos e simulações periódicas para testar procedimentos e aperfeiçoar os sistemas de resposta. Os planos devem ser revisados anualmente para garantir atualização contínua das estratégias de prevenção.

Para apoiar a implementação das ações, a Seduc contratou consultores técnicos especializados por meio do Projeto de Cooperação Técnica com a UNESCO. 

Gestores escolares também participaram de formações promovidas pela Coordenadoria de Educação do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden Educação) e pela Coordenadoria Estadual de Proteção e Defesa Civil (Cepdec).

O objetivo é fazer com que o Plancon Escolar se torne uma ferramenta permanente de gestão nas escolas, integrada a documentos como o Projeto Político-Pedagógico (PPP) e o Plano Anual de Ações e Metas. Assim, as Escolas Resilientes buscam consolidar uma cultura de prevenção, cuidado e adaptação climática dentro da Rede Estadual.

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