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Mostra Científica 2026 destaca protagonismo negro nos projetos das escolas estaduais

Ação é promovida anualmente pela Secretaria da Educação

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A imagem mostra troféus enfileirados. Eles têm base preta com placa do Governo do RS, corpo em formato de pássaro estilizado com padrões étnicos e discos no topo indicando colocações (1º, 2º e 3º lugares) da Mostra Científica 2026.
Evento celebra contribuições dos povos africanos e afro-brasileiros, aproximando a pesquisa científica da educação antirracista - Foto: Divulgação | ASCOM Seduc
Por Daniel Marcilio

Nas 30 Coordenadorias Regionais do Estado (CREs), as escolas da Rede Estadual estão reunidas e mobilizadas para participar da etapa regional da 4ª Mostra Científica 2026, que ocorre até sexta-feira (23/10).  A ação, promovida anualmente pela Secretaria da Educação (Seduc), é o momento de valorizar a pesquisa e a criatividade dos trabalhos desenvolvidos na sala de aula, incentivando o espírito crítico e o protagonismo estudantil. 

Na edição deste ano, o tema principal diz respeito aos "55 anos do 20 de Novembro: memória, presença e futuro".  A temática faz alusão ao movimento iniciado pelo Grupo Palmares. Criado em Porto Alegre em 1971, o grupo propôs a data, que hoje é feriado nacional, como um marco da resistência negra no Brasil. 

Assim, o objetivo da Mostra Científica 2026 é destacar as contribuições dos povos africanos e afro-brasileiros, aproximando a pesquisa científica da educação antirracista. 

Com o apoio de professores orientadores, os estudantes apresentam seus trabalhos em uma feira de ciências, que é organizada em espaços amplos, como ginásios e galpões. Uma das novidades é que a avaliação dos projetos é feita pelos próprios participantes, a partir da metodologia das Estações de Aprendizagem.

Os estudantes têm uma série de rodadas de interação e, após isso, distribuem selos de Ouro, Prata e Bronze aos trabalhos dos outros colegas, reconhecendo aqueles que consideram mais relevantes dentro da temática antirracista. Questões de relevância social e viabilidade também são observadas. 

Visão panorâmica de um amplo pavilhão com teto de estrutura metálica abrigando a mostra científica. Várias pessoas, incluindo estudantes de uniforme verde, circulam entre diversos estandes com mesas e painéis verticais que expõem trabalhos e projetos.
Feira mobiliza grande número de estudantes - Foto: Divulgação | ASCOM Seduc

Os projetos precisam abordar temas como sustentabilidade, história e memória, direitos humanos, identidade cultural e combate ao racismo. Cada pesquisa conta com até três estudantes, sendo um autor e dois coautores. Antes de chegarem à etapa regional, os alunos escolhem os temas nas escolas, realizam as pesquisas e preparam os materiais. 

Para auxiliar na exposição, podem ser utilizados maquetes, cartazes, protótipos e quaisquer outros materiais que os estudantes consigam criar. A explicação fica por conta dos alunos, que compartilham o conhecimento produzido. Com isso, a proposta é desenvolver a capacidade de argumentação. 

A Mostra Científica é aberta a estudantes de todas as etapas e modalidades da Rede Estadual, incluindo escolas indígenas, quilombolas e do campo, além de alunos da Educação de Jovens e Adultos (EJA) e da Educação Especial. 

A organização é dividida ao longo do ano letivo em três fases: escolar, regional e estadual. As escolas de cada CRE inscreveram até três projetos na etapa regional. Os trabalhos classificados avançam agora para a fase estadual, que acontecerá em 25 e 26 de novembro, no campus da Unisinos em Porto Alegre. 

Capoeira e cultura afro-brasileira em destaque

Grupo de quatro adultos e quatro crianças posa para foto. A maioria veste camiseta branca padronizada e as crianças seguram pequenos prêmios. Ao fundo, um painel traz a inscrição "Mostra Científica 2026". O cenário é um palco com troféus numa mesa à direit
Vencedores dos Anos Inciais comemoram a conquista na 9ª CRE, em Cruz Alta - Foto: Divulgação | ASCOM Seduc

Na 9ª CRE, em Cruz Alta, a etapa regional ocorreu na quarta-feira (21/10). Ao todo, foram 75 trabalhos inscritos na região, de 35 escolas diferentes. Com a presença de 220 estudantes, o projeto que venceu o primeiro lugar na categoria dos Anos Iniciais do Ensino Fundamental destacou um legado da cultura afro-brasileira: a capoeira.Com o nome No Toque do Berimbau, o trabalho foi desenvolvido pelos jovens estudantes da Escola Estadual de Educação Básica Menino Deus, do município de 15 de Novembro. 

A proposta surgiu a partir do incentivo do professor de Educação Física e mestre de capoeira, Pierre José Ramos. A iniciativa contou com o envolvimento de uma turma inteira do terceiro ano do Ensino Fundamental. Na mostra, como as equipes são representadas por três alunos, participaram os estudantes Cassiano Prediger Kuffel, Felipe Afonso da Costa e Ana Laura Herbert Goelzer.

Duas jovens descalças, vestindo calça e camiseta brancas, jogam capoeira sobre piso de concreto. Ao fundo, algumas pessoas sentadas assistem à apresentação. O cenário inclui um painel verde, vermelho e amarelo com a placa "Mostra Científica 2026".
Capoeira é uma das atividades celebradas na mostra - Foto: Divulgação | ASCOM Seduc

Para o professor, o resultado da conquista é fruto de uma dedicação coletiva. “É uma satisfação, depois de muito esforço, alcançarmos o primeiro lugar com um tema de suma importância no meio científico", relatou Pierre. 

O desempenho foi comemorado com empolgação pelo grupo. “Pela primeira vez, o terceiro ano da escola está sendo campeão na mostra científica. É também a primeira vez que eu venho, e olha o que estou levando para casa”, celebrou Felipe, de 8 anos, segurando o troféu. 

Na categoria do Ensino Médio, o estudante Luís Felipe Nunes, do Instituto Estadual de Educação Annes Dias, de Cruz Alta, também destacou o que aprendeu ao participar de um evento científico. “É uma dádiva estar aqui hoje, afinal podemos exercer a oralidade, poder apresentar todo o trabalho e fazer dessa cultura afrodescendente algo importante nos dias de hoje”, afirmou.

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