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Conheça as intérpretes que traduzem em Libras as aulas do Pré-Enem Seduc RS

Daiane, Neoli, Patricia e Suzana são professoras e acompanham as lições em tempo real

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A professora de Matemática Daiane Kipper, de Santa Cruz do Sul, é uma das intérpretes de Libras do Pré-Enem Seduc RS
A professora de Matemática Daiane Kipper, de Santa Cruz do Sul, é uma das intérpretes de Libras do Pré-Enem Seduc RS - Foto: Isabella Sander
Por Isabella Sander

As Aulas Preparatórias para o Exame Nacional do Ensino Médio (Pré-Enem Seduc RS) são apresentadas por 13 professores da Rede Estadual de Ensino com a tradução simultânea de quatro intérpretes da Língua Brasileira de Sinais (Libras). As lições têm transmissão diária pela TVE-RS, de segunda a sexta-feira, das 19h às 23h, e ocorrem até o dia 31 de outubro.

São exibidas 20 horas/aula semanais, totalizando 464 horas de preparação para todos os componentes curriculares. Os alunos ainda têm acesso às aulas pelo Youtube, por meio do canal TV Seduc RS, e com os links disponíveis no Portal da Educação e no site da Secretaria Estadual da Educação (Seduc).

Nesta matéria, serão apresentadas as quatro intérpretes que se revezam na tradução do conteúdo das aulas do Pré-Enem Seduc RS para Libras. Todas elas trabalham na Escola Estadual de Ensino Médio Nossa Senhora do Rosário, de Santa Cruz do Sul, instituição de ensino bilíngue, com classes para ouvintes, surdos ou mistas.

Neoli, Suzana, Daiane e Patricia são professoras e intérpretes de Libras do Pré-Enem Seduc
Neoli, Suzana, Daiane e Patricia são professoras e intérpretes de Libras do Pré-Enem Seduc - Foto: Isabella Sander

“Os surdos mudaram a minha vida”, afirma Daiane

A professora de Matemática Daiane Kipper nunca tinha convivido com a comunidade surda até 2009, quando, contratada em caráter temporário, foi dar aula de Física na Escola Rosário. Como não sabia Libras, começou lecionando para surdos com uma intérprete ao seu lado.

Quando a professora de Matemática titular, que era fluente na língua, anunciou sua aposentadoria, a direção da instituição a estimulou a fazer o curso de capacitação para o idioma. Já apegada à comunidade surda, resolveu topar o desafio. Em busca de qualificação, fez mestrado, com uma dissertação sobre surdos, uma especialização sobre a educação voltada para essa população e, em paralelo, em 2014, um curso de intérprete. “Os surdos me levaram até o mestrado e, hoje, ao doutorado. O que me desacomodou foi a comunicação com os surdos. Os surdos mudaram a minha vida”, destaca Daiane.

Aprendizado de Libras começou para Neoli após desafio de alunos

Neoli Paulina da Silva Gabe começou a trabalhar na Escola Rosário em 2010, também, inicialmente, mediante contrato temporário. Professora de Matemática, à noite dava aula para surdos. Aos poucos, alguns alunos da classe começaram a desafiá-la. “Eles diziam: ‘Se a gente tem que aprender Matemática, tu tens que aprender Libras’. Me incentivavam a deixar a intérprete de lado em alguns momentos, para ir aprendendo o idioma”, recorda.

Animada para aprender a língua, Neoli fez uma pós-graduação em educação especial para deficiência auditiva e outra em orientação educacional, pensando em estratégias educacionais para surdos. Em 2014, a professora assumiu sozinha pela primeira vez uma classe especial de surdos, sem apoio de intérprete, ensinando Matemática e Ciências. Fez, ainda, curso de interpretação e mestrado em educação matemática para surdos. “Foi chegar à escola e comecei a me desenvolver. Aprender uma língua é um processo, estamos sempre acrescentando vocabulário”, comenta.

Trabalho com surdos dá sentido à vida de Patricia

A carioca Patricia Barbosa Pinho Storch foi morar em Santa Cruz do Sul após casar com um gaúcho. Seu primeiro contato com surdos foi na adolescência, quando fez cursos básicos e intermediários de Libras na igreja que frequentava. Depois, formada em Artes pela UFRJ e tendo se mudado para o Rio Grande do Sul, passou a trabalhar na Prefeitura de Santa Cruz e no Governo do Estado. “Esperei quatro anos para ser chamada no Estado. Quando me nomearam, a diretora me disse que eu ia trabalhar com surdos e eu me surpreendi. Olhei para trás e recordei a minha história com a comunidade”, relata.

Apesar da passagem do tempo, Patricia percebeu que lembrava de quase tudo que havia aprendido sobre Libras na adolescência. Fez pós-graduação em psicopedagogia, com foco na construção da aprendizagem e, neste ano, retornou à graduação para cursar Letras/Libras na UFRGS. Sobre a sua participação no Pré-Enem Seduc RS, confessa que é um projeto que lhe traz emoção. “A gente sempre busca um motivo para estar aqui, o sentido da vida, e, às vezes, a gente foge desse sentido. Na minha trajetória, a relação com o surdo sempre vem. Hoje, quando estou lá na frente, interpretando, sinto que é algo que vem de dentro, é paixão, é amor, mesmo”, destaca.

Mesmo após 20 anos de experiência, ensino em Libras segue desafiando Suzana

Com 20 anos de experiência com o ensino em Libras, a professora de História Suzana de Fátima Fardin Berto iniciou seu contato com surdos quando foi nomeada, após passar em concurso para professora estadual, e passou a trabalhar na Escola Estadual Gaspar Bartholomay, em Santa Cruz. “Me diziam que eu só tinha que ficar de frente para eles e escrever no quadro tudo que eu falasse, mas aquilo não me convenceu. Aprendi Libras com os alunos e, só depois de aprender praticamente tudo, fiz um curso de capacitação”, aponta. Durante a capacitação, se interessou em entender melhor a maneira como os surdos escrevem e ingressou em um mestrado em Letras a respeito.

Para Suzana, além de paixão, o ensino em Libras exige muita dedicação. “Eu estou no final da minha carreira, mas sigo me desafiando. Este projeto é um desafio para mim, mesmo com a pandemia, não vou desistir do Pré-Enem. São muitos seres humanos partindo daqui, e eu acho que, quem ficar, tem que fazer deste um mundo melhor. Se não, a pandemia não vai ter ensinado nada para ninguém”, opina.

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