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Rede Estadual de Ensino garante acesso de comunidades indígenas às Aulas Programadas

Rio Grande do Sul tem 90 escolas indígenas e mais de 7 mil estudantes nos núcleos Guarani e Kaingang

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Agente educacional, Zeno Ely, distribui o material didático das Aulas Programadas para os alunos da Escola Igineo Romeu Koe’ju
Alunos indígenas da Escola Igineo Romeu Koe’ju, de Santo ângelo, recebendo os materiais de estudo das Aulas Programadas - Foto: Divulgação
Por Isabella Sander

A Secretaria Estadual da Educação (Seduc), por meio dos Núcleos de Educação Indígena Guarani e Kaingang, do Departamento de Educação, busca atender as demandas das comunidades, formar e valorizar os professores das etnias e promover a gestão da educação escolar nas aldeias. Ao todo, no Rio Grande do Sul, são 90 escolas indígenas e mais de 7 mil estudantes distribuídos nas regiões das Coordenadorias Regionais de Educação (CREs) de Porto Alegre, Pelotas, Santa Maria, Cruz Alta, Osório, Guaíba, Santo Ângelo, Erechim, Palmeira das Missões, Três Passos e Gravataí.

Agora, durante o período de suspensão das aulas presenciais, devido ao combate à disseminação do coronavírus no Estado, o trabalho com as Aulas Programadas segue sendo realizado pelos educadores.

Na 14ª Coordenadoria Regional de Educação (CRE), de Santo Ângelo, dois servidores chamaram a atenção ao se engajarem na garantia do acesso de seus alunos indígenas às Aulas Programadas.

O agente educacional II, Zeno Kaipper Ely, decidiu passar a quarentena junto à aldeia em que fica a Escola Estadual de Ensino Fundamental Igineo Romeu Koe’ju, onde trabalha, para oferecer merenda e distribuir o material didático para os alunos.

A rotina de Ely, que leciona no local desde 2016 e já até fala tupi-guarani, mudou diante da orientação de isolamento total das comunidades. “Resolvi ficar porque, para os indígenas, a escola é uma referência. Sem ela, eles ficam desassistidos. Eles valorizam muito, não só pela alimentação, mas são também parceiros na aprendizagem dos alunos”, ressalta.

O agente educacional recebe por e-mail o material dos professores para as Aulas Programadas, imprime e repassa aos cerca de 70 estudantes da instituição de ensino. Além disso, ele também é responsável por ir até a cidade comprar a alimentação escolar e, com a ajuda de dois indígenas, fazer a merenda e servir para os alunos. O que sobra é oferecido para o restante da aldeia, que tem como fonte principal de renda a venda de artesanato nas Ruínas de São Miguel das Missões e, desde que o sítio arqueológico foi fechado, em razão da pandemia, sofre com dificuldades financeiras.

O que leva Ely a se dedicar tanto é o interesse dos alunos. “Eu me surpreendi. Diariamente, são passadas atividades para os estudantes e, no dia seguinte, eles me trazem de volta. Às vezes eles têm dúvidas e me procuram, pois têm tido bastante interesse em aprender”, comenta.

O cacique Verá Mirī (ou Tiago Timóteo, em língua não indígena), preocupado com o risco de contaminação da aldeia pelo coronavírus, determinou que o local fosse isolado e houvesse o mínimo possível de circulação de pessoas por ali. Lá dentro, eles seguem fazendo suas atividades do dia a dia, dentro da nova rotina. “As crianças e os adolescentes se adaptaram bem às Aulas Programadas”, analisa.

Dedicação dos professores

O mesmo isolamento está ocorrendo em outras localidades indígenas, como a Tekoa Pyau, na Ressaca Buriti, distrito de Santo Ângelo.

 Diante da impossibilidade de um dos estudantes do Instituto Estadual de Educação Odão Felippe Pippi sair da aldeia para buscar o material das Aulas Programadas, e da falta de acesso à internet para acompanhar as aulas online, a professora do Curso Normal, Leidir Carnelutti, percorreu quilômetros para levar o conteúdo até o aluno.

A docente aproveitou, ainda, para entregar um celular doado, para que o discente possa se comunicar, e mantimentos arrecadados que devem garantir a alimentação de 25 crianças da comunidade durante um mês.

“Eu fiz uma sala online e estou dando aula para todos os alunos por ali. Aí, os colegas falaram que ele não tinha internet na região. Falei com o cacique para ver como eu poderia entregar o material, marquei de encontrá-lo a 100 metros da aldeia e eu levei os cadernos. Ele gostou”, relata.

A professora encontrou na atitude uma forma de valorizar o esforço do estudante, que costuma percorrer nove quilômetros entre a aldeia e a escola. “Eu pensei: e se fosse meu filho que não tivesse acesso a esse material, como ele ficaria quando as aulas normais voltassem? Eu gostaria que alguém se preocupasse com isso”, explica.

A próxima etapa de materiais deve ser entregue ao aluno indígena na próxima semana. Além de apoiar o estudante, Leidir, aliada a também professora da rede estadual, Marilise Lacroix Voese, está produzindo máscaras de pano para distribuir nos abrigos de acolhimento de crianças e adolescentes da região. A dupla tem entregue dez equipamentos por dia.

Trabalho da 14ª CRE

As duas escolas indígenas de responsabilidade da 14ª CRE – a Igineo Romeu Koe’ju e a Escola Estadual de Ensino Médio Buriti – têm tido acompanhamento de integrantes da Rede Estadual de Ensino.

A coordenadora da 14ª CRE, Rosa Maria de Souza, ressalta o caráter voluntário das ações dos servidores, que perceberam a situação difícil na qual se encontram as aldeias indígenas em um momento que não é possível realizar a venda de artesanatos. “Assim como outras entidades, eles estão auxiliando a comunidade neste momento”, destaca.

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